domingo, 5 de junho de 2011

A renúncia (Andréia)




Acordara ainda com a visão de um sonho desordenado. Era um sonho indescritível e que não rimava com a realidade.
Pensava um dia colocá-lo em prática, proclamá-lo aos quatro ventos e assim, desafiar a própria vida. Obeservava a
covardia do ser humano em fantasiar a felicidade e esconder a ferida. A vida de improviso porque é desconfortável
ser o que é. Era imensa a vontade de expelir tudo que a angustiava e ver o que sobrava. Estancar a vida em suas
insignificâncias, afim de chegar ao inteiro de si. Pensava que ao tentar se descobrir os nós da neurose se desfariam
e a cura seria a liberdade de não mais ser escrava de seus vários "eus" que tanto a perseguiam.
Numa atitude desvairada rasgou a ferida e imergiu no universo de sua alma. As portas de seu coração tentaram
inutilmente contê-la. Ao retornar voltou embriagada de seu inferno de desejos e com seus conflitos internos muito
mais aguçados.
Adotou como regra primária fugir de si mesma. A alma arrancara-lhe todas as esperanças e o que sobrou foi a loucura
e a sua eterna procura.
A prática do sonho estagnada permitira o uso contínuo da máscara. Era uma proteção!
Era poder suportar a vida sem tocá-la.

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