domingo, 5 de junho de 2011

O encontro (Andréia)

Acordara com a sensação de que viveria seu último dia, ou seria o seu primeiro? Saía para aquele tão esperado encontro com o coração aos pulos...era incontrolável
agora a sua ansiedade, mas estava feliz. Chegara ao lugar marcado meia hora antes, impacientava-se olhando cada transeunte que passava naquela estação tentando
inutilmente reconhecer num deles aquele rosto que imaginava mas que não conhecia. De repente ele se aproxima e diante dela surge aquela paisagem maravilhosa, ela sorri um sorriso tímido
e não sabe o que fazer com as mãos por isso as coloca nos bolsos do casaco marron.
A multidão dificultava a comunicação, ambos não queriam testemunhas..bastavam-se. Ele sugere um lugar reservado onde poderiam estar a sós, ela de pronto aceita. Alugam
por algumas horas um quarto na metrópole de pedra, adentram aquele espaço quieto e ela por sua vez comtempla aquele homem como se ele tivesse a capacidade de repor
a sua vida no lugar. Pouco disseram, olhavam-se numa ternura sem fim, o não-dito era interpretado e entendiam a mensagem. Quando finalmente se tocaram sentiam a vida agir,
libertando-os naquele momento do pântano de solidão.
Havia algo a mais presente naquele instante, era o amor que instalava-se sem pedir licença, numa fúria de carinhos e desejos, ávido e sem perder tempo. Num lapso estavam nus e seus corpos se deliciavam, rasgavam o tecido da alma num improviso que a própria situação exigia. Cegos e cheios de desejo, amavam-se como selvagens...seus corpos entrelaçados e bocas grudadas. A vida se fazia presente em cada espasmo orgástico...o néctar dos deuses jorrava em seus corpos que agora eram apenas um! Ficaram assim nessa íntima entrega até ficarem exaustos. Depois deitados, ela acariciava aquele rosto que era lindo e ele os cabelos desalinhados dela. Trocaram algumas palavras, não precisava dizer muito...durante um longo período haviam utilizado as palavras em suas atorduadas solidões no negror dos tempos, havia então pouco a dizer. Entendiam-se bem nos olhares, eram de uma cumplicidade ímpar!
Chegara então a hora de partir...era inevitável! Ele a levou até á estação onde haviam se encontrado, ela só conseguiu dizer um "até breve"...ele nada disse, apenas assentiu com a cabeça. Ele segue apressado ao seu destino, ela fica ainda olhando aquela imagem se perder no espaço e seu coração bate parado naquela estação. Quando o veria novamente? Não sabia.

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