domingo, 5 de junho de 2011

Identidade perdida (Andréia)




Fiz de mim o que não podia ser, viajei nos teus olhos e perdi-me.
Acompanho o rastro de tua paisagem como uma passageira visionária que anulada
de si mesmo, descobre-se no teu molde que é perfeito.
Estou repleta de você e não encontro solução para ausentá-lo de mim...é um mal
necessário que prolongo na tentativa de alimentar uma vida mínima.
Nos meus sonhos posso tê-lo tão próximo ao meu desejo que o mesmo chega a consumar-se. Acordada percebo o equívoco, você é uma esfinge a ser decifrada: tão alheio.
Conservo ainda o disfarce do que eu era para que ninguém suspeite a desordem discreta que provocaste em minh'alma.
Adquiri uma postura de caçadora e você é o anjo torto do poeta Carlos impulsionando-me para vida, comandando a busca de minha identidade perdida.

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