Quero encaixar o meu desejo na lógica do tempo
A realização da autonomia do sujeito
E eu como sujeito determinado
Tenho que sujeitar-me à indeterminação do tempo
Esse tempo que tudo rege
Que fere o meu rosto com suas marcas
Que dilacera o meu instante
E faz com que eu recomece
Quando já estou ao fundo do fim
Tenho que conviver com semideuses
Esses que vivem sob as rédeas do mundo
Odeio esse otimismo saudável
Que aliena o homem
Deixando-o fraco diante das instabilidades
Quero me desconectar
Mas falta ainda uma brecha para o encaixe do meu desejo.
Quero a liberdade de (ser ) e que me chamem de louca!
Espaço de compartilhamento de alguns escritos meus (sem nenhuma pretensão literária),textos de outros escritores e também canções.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
O exército branco- Mikhail Bulgakov
"Tudo passa: sofrimento, dor, sangue, fome, peste. A espada também passará, mas as estrelas permanecerão quando as sombras de nossa presença, e nossos feitos se tiverem desvanecido da Terra. Não há homem que não saiba disso. Por que então não voltamos nossos olhos para as estrelas? Por quê?"
domingo, 5 de junho de 2011
Texto de Caio Fernando Abreu
"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto,
pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo.
Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação.
Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."
pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo.
Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação.
Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."
Um conto (Andréia)
Camille vivia as amarras de seu pequeno mundo de mulher. Dona de um cotidiano torturador que lhe arrancava o sentido de "ser", ansiava
a liberdade por excelência.
Não era uma mulher exuberante mas trazia em seu semblante a nobreza de não ser fatalista, fugia ao cumprimento de regras sociais (a imbecilidade).
Numa manhã ensolarada Camille resolvera sair em busca de seu alimento diário: os livros! A leitura servia-lhe de amparo pois a retirava do mundo ridículo,
este em que as pessoas são ocupadas em nascer e morrer...cegas no caminhar frenético em busca do nada.
Enquanto caminhava, Camille pensava na responsabilidade de ter olhos. Tinha medo que o mundo a tragasse de uma forma nada democrática. O muro era
alto e definitivo.
Ao chegar à livraria começou a procurar algo que a interessasse. Enquanto folheava alguns livros sussurrava em pensamento uma velha canção do Pink
Floyd, "Hey you".
Não imaginava que ali encontraria um habitante de Parsságada, sua alma gêmea. Ao fechar o livro e ao recolocá-lo na prateleira seu olhar encontrou-se
num repente com o olhar de um sujeito estranho que estava ao seu lado. Nada disseram, apenas encotraram-se ali casualmente e olharam-se com a mesma dor.
(Ele) estava com um volume de "em busca do tempo perdido" de Marcel Proust.
Como um bicho acuado Camille pega rapidamente o alimento que escolhera para aquele dia: "Exílio" de Lya Luft. Paga e sai apressada da livraria. Ao sair depara-se
novamente com o sujeito estranho. Ele olha para ela e diz:--"Deixemos as mulheres bonitas aos homens sem imaginação." Podemos caminhar um pouco?
Camille vê naquele homem o seu espelho e aceita prontamente. Seria intuição feminina? Não! Apenas viu naquele homem a possibildade da felicidade do instante,
do jogo livre e o prazer sem leis (pelo não-dito) do silêncio.
Entraram num beco, despiram-se da banalidade e se amaram ali com voracidade, era urgente! Dois seres sem nome: nenhuma pessoa, ninguém!
Camille respirava sem sofreguidão, sorria um riso escancarado como se sua alma estivesse liberta de todas as amarras. O homem também sorria e ambos
se entendiam pela linguagem dos gestos em uníssono: Fodam-se as velhas regras absolutas!
Ofendiam o senso comum do pudor (nus matando os seus desejos), fugindo assim da grande tragédia: envelhecer de tédio, a negação do jogo.
a liberdade por excelência.
Não era uma mulher exuberante mas trazia em seu semblante a nobreza de não ser fatalista, fugia ao cumprimento de regras sociais (a imbecilidade).
Numa manhã ensolarada Camille resolvera sair em busca de seu alimento diário: os livros! A leitura servia-lhe de amparo pois a retirava do mundo ridículo,
este em que as pessoas são ocupadas em nascer e morrer...cegas no caminhar frenético em busca do nada.
Enquanto caminhava, Camille pensava na responsabilidade de ter olhos. Tinha medo que o mundo a tragasse de uma forma nada democrática. O muro era
alto e definitivo.
Ao chegar à livraria começou a procurar algo que a interessasse. Enquanto folheava alguns livros sussurrava em pensamento uma velha canção do Pink
Floyd, "Hey you".
Não imaginava que ali encontraria um habitante de Parsságada, sua alma gêmea. Ao fechar o livro e ao recolocá-lo na prateleira seu olhar encontrou-se
num repente com o olhar de um sujeito estranho que estava ao seu lado. Nada disseram, apenas encotraram-se ali casualmente e olharam-se com a mesma dor.
(Ele) estava com um volume de "em busca do tempo perdido" de Marcel Proust.
Como um bicho acuado Camille pega rapidamente o alimento que escolhera para aquele dia: "Exílio" de Lya Luft. Paga e sai apressada da livraria. Ao sair depara-se
novamente com o sujeito estranho. Ele olha para ela e diz:--"Deixemos as mulheres bonitas aos homens sem imaginação." Podemos caminhar um pouco?
Camille vê naquele homem o seu espelho e aceita prontamente. Seria intuição feminina? Não! Apenas viu naquele homem a possibildade da felicidade do instante,
do jogo livre e o prazer sem leis (pelo não-dito) do silêncio.
Entraram num beco, despiram-se da banalidade e se amaram ali com voracidade, era urgente! Dois seres sem nome: nenhuma pessoa, ninguém!
Camille respirava sem sofreguidão, sorria um riso escancarado como se sua alma estivesse liberta de todas as amarras. O homem também sorria e ambos
se entendiam pela linguagem dos gestos em uníssono: Fodam-se as velhas regras absolutas!
Ofendiam o senso comum do pudor (nus matando os seus desejos), fugindo assim da grande tragédia: envelhecer de tédio, a negação do jogo.
Anjo exterminado (Andréia)
"Já não me abasteço de alegrias convividas
A solidão é paupável
E a mente saturada de anseios
Não me permite traçar objetivos no próximo instante
As esperanças estão mortas e nada mais há do que um grito calado
Sou um anjo exterminado vagando na escuridão
Cavando grotas profundas no meu ser
Buscando inutilmente iluminação
Para os estilhaços da vida restante."
A solidão é paupável
E a mente saturada de anseios
Não me permite traçar objetivos no próximo instante
As esperanças estão mortas e nada mais há do que um grito calado
Sou um anjo exterminado vagando na escuridão
Cavando grotas profundas no meu ser
Buscando inutilmente iluminação
Para os estilhaços da vida restante."
Identidade perdida (Andréia)
Fiz de mim o que não podia ser, viajei nos teus olhos e perdi-me.
Acompanho o rastro de tua paisagem como uma passageira visionária que anulada
de si mesmo, descobre-se no teu molde que é perfeito.
Estou repleta de você e não encontro solução para ausentá-lo de mim...é um mal
necessário que prolongo na tentativa de alimentar uma vida mínima.
Nos meus sonhos posso tê-lo tão próximo ao meu desejo que o mesmo chega a consumar-se. Acordada percebo o equívoco, você é uma esfinge a ser decifrada: tão alheio.
Conservo ainda o disfarce do que eu era para que ninguém suspeite a desordem discreta que provocaste em minh'alma.
Adquiri uma postura de caçadora e você é o anjo torto do poeta Carlos impulsionando-me para vida, comandando a busca de minha identidade perdida.
A renúncia (Andréia)
Acordara ainda com a visão de um sonho desordenado. Era um sonho indescritível e que não rimava com a realidade.
Pensava um dia colocá-lo em prática, proclamá-lo aos quatro ventos e assim, desafiar a própria vida. Obeservava a
covardia do ser humano em fantasiar a felicidade e esconder a ferida. A vida de improviso porque é desconfortável
ser o que é. Era imensa a vontade de expelir tudo que a angustiava e ver o que sobrava. Estancar a vida em suas
insignificâncias, afim de chegar ao inteiro de si. Pensava que ao tentar se descobrir os nós da neurose se desfariam
e a cura seria a liberdade de não mais ser escrava de seus vários "eus" que tanto a perseguiam.
Numa atitude desvairada rasgou a ferida e imergiu no universo de sua alma. As portas de seu coração tentaram
inutilmente contê-la. Ao retornar voltou embriagada de seu inferno de desejos e com seus conflitos internos muito
mais aguçados.
Adotou como regra primária fugir de si mesma. A alma arrancara-lhe todas as esperanças e o que sobrou foi a loucura
e a sua eterna procura.
A prática do sonho estagnada permitira o uso contínuo da máscara. Era uma proteção!
Era poder suportar a vida sem tocá-la.
O encontro (Andréia)
Acordara com a sensação de que viveria seu último dia, ou seria o seu primeiro? Saía para aquele tão esperado encontro com o coração aos pulos...era incontrolável
agora a sua ansiedade, mas estava feliz. Chegara ao lugar marcado meia hora antes, impacientava-se olhando cada transeunte que passava naquela estação tentando
inutilmente reconhecer num deles aquele rosto que imaginava mas que não conhecia. De repente ele se aproxima e diante dela surge aquela paisagem maravilhosa, ela sorri um sorriso tímido
e não sabe o que fazer com as mãos por isso as coloca nos bolsos do casaco marron.
A multidão dificultava a comunicação, ambos não queriam testemunhas..bastavam-se. Ele sugere um lugar reservado onde poderiam estar a sós, ela de pronto aceita. Alugam
por algumas horas um quarto na metrópole de pedra, adentram aquele espaço quieto e ela por sua vez comtempla aquele homem como se ele tivesse a capacidade de repor
a sua vida no lugar. Pouco disseram, olhavam-se numa ternura sem fim, o não-dito era interpretado e entendiam a mensagem. Quando finalmente se tocaram sentiam a vida agir,
libertando-os naquele momento do pântano de solidão.
Havia algo a mais presente naquele instante, era o amor que instalava-se sem pedir licença, numa fúria de carinhos e desejos, ávido e sem perder tempo. Num lapso estavam nus e seus corpos se deliciavam, rasgavam o tecido da alma num improviso que a própria situação exigia. Cegos e cheios de desejo, amavam-se como selvagens...seus corpos entrelaçados e bocas grudadas. A vida se fazia presente em cada espasmo orgástico...o néctar dos deuses jorrava em seus corpos que agora eram apenas um! Ficaram assim nessa íntima entrega até ficarem exaustos. Depois deitados, ela acariciava aquele rosto que era lindo e ele os cabelos desalinhados dela. Trocaram algumas palavras, não precisava dizer muito...durante um longo período haviam utilizado as palavras em suas atorduadas solidões no negror dos tempos, havia então pouco a dizer. Entendiam-se bem nos olhares, eram de uma cumplicidade ímpar!
Chegara então a hora de partir...era inevitável! Ele a levou até á estação onde haviam se encontrado, ela só conseguiu dizer um "até breve"...ele nada disse, apenas assentiu com a cabeça. Ele segue apressado ao seu destino, ela fica ainda olhando aquela imagem se perder no espaço e seu coração bate parado naquela estação. Quando o veria novamente? Não sabia.
agora a sua ansiedade, mas estava feliz. Chegara ao lugar marcado meia hora antes, impacientava-se olhando cada transeunte que passava naquela estação tentando
inutilmente reconhecer num deles aquele rosto que imaginava mas que não conhecia. De repente ele se aproxima e diante dela surge aquela paisagem maravilhosa, ela sorri um sorriso tímido
e não sabe o que fazer com as mãos por isso as coloca nos bolsos do casaco marron.
A multidão dificultava a comunicação, ambos não queriam testemunhas..bastavam-se. Ele sugere um lugar reservado onde poderiam estar a sós, ela de pronto aceita. Alugam
por algumas horas um quarto na metrópole de pedra, adentram aquele espaço quieto e ela por sua vez comtempla aquele homem como se ele tivesse a capacidade de repor
a sua vida no lugar. Pouco disseram, olhavam-se numa ternura sem fim, o não-dito era interpretado e entendiam a mensagem. Quando finalmente se tocaram sentiam a vida agir,
libertando-os naquele momento do pântano de solidão.
Havia algo a mais presente naquele instante, era o amor que instalava-se sem pedir licença, numa fúria de carinhos e desejos, ávido e sem perder tempo. Num lapso estavam nus e seus corpos se deliciavam, rasgavam o tecido da alma num improviso que a própria situação exigia. Cegos e cheios de desejo, amavam-se como selvagens...seus corpos entrelaçados e bocas grudadas. A vida se fazia presente em cada espasmo orgástico...o néctar dos deuses jorrava em seus corpos que agora eram apenas um! Ficaram assim nessa íntima entrega até ficarem exaustos. Depois deitados, ela acariciava aquele rosto que era lindo e ele os cabelos desalinhados dela. Trocaram algumas palavras, não precisava dizer muito...durante um longo período haviam utilizado as palavras em suas atorduadas solidões no negror dos tempos, havia então pouco a dizer. Entendiam-se bem nos olhares, eram de uma cumplicidade ímpar!
Chegara então a hora de partir...era inevitável! Ele a levou até á estação onde haviam se encontrado, ela só conseguiu dizer um "até breve"...ele nada disse, apenas assentiu com a cabeça. Ele segue apressado ao seu destino, ela fica ainda olhando aquela imagem se perder no espaço e seu coração bate parado naquela estação. Quando o veria novamente? Não sabia.
A vida (Andréia)
Um movimento apenas, apenas um e a energia do corpo fará o que tem que ser feito, sem muito pensar e mecanicamente. Será essa vida tão vivida em ação? O sentido das coisas seria a arrumação externa? Subo a linha imaginária que é tão mais significativa, a sensação de chegar ao topo e avistar lá de cima a minha indiferença ao corre-corre diário das pessoas em busca do nada. Nada é o que se tem! A brisa toca o meu rosto e o meu pensamento viaja por lugares que nunca estive ou estive sempre?
Não desejo essa alegria tão contemplada dos sorrisos plásticos, ela é patética e completa. Prefiro as minhas lágrimas e nessa minha incompletude sentir a vida como realmente ela é.
" Dá-me a tua mão desconhecida, que a vida está me doendo, e não sei como falar...a realidade é delicada demais, só a realidade é delicada, minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas." (Clarice Lispector)
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