segunda-feira, 26 de março de 2012

How I wish, how I wish you were here...(Andreia)

Sua solidão era maior do que qualquer coisa que pudesse haver. Acostumara-se tanto com ela que permanecia muitos dias sem comunicar-se com outros seres. Neste período sentia a vida doer, uma espécie de exílio do mundo, como se não fizesse parte dele. Surgia num repente, como uma criatura fantasmagórica, talvez para apenas reconstruir-se a partir de um mundo ficcional, a vida real o embrutecera...era perceptível no implícito de suas palavras. A beleza do mundo estava sempre no campo verbal, jamais poderia ser de outra forma...seria como se arrancasse o rio para fora de seu leito como já dissera Clarice. Era inviável!
Com medo que o cercara como presa , sentiu o alívio de fugir de uma situação real, não precisava despedir-se. Sentia o coração duro  bater enquanto iniciava a caminhada para não mais voltar, estava tão apressado em afugentar-se que não se dera conta do ar cinzento a lamentar, temia somente a sua dor. E ela? Atravessava os dias com a necessidade dos afazeres que criara, cumpria a exigência sem queixar-se, no entanto sempre lembrava daquela criatura complexa que habitava o leito vazio de sua memória e dizia em pensamento: How I wish, how I wish you were here...


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