sexta-feira, 11 de novembro de 2011

No nada (Andreia)







No nada é possível visualizar o que se é
Sem uso da máscara e longe da canalhada
Aparece o bicho que habita em mim
Com o silêncio percebo como está vivo, nutrido
Inquieto e presente e louco 
E talvez aconteça o inevitável
Ele tomar conta de tudo
Quando nada mais restar



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Negro amor (Andreia)

Surgiu numa madrugada qualquer sem nome
Mas ela ali já se identificara com ele por meio das palavras
Trouxe a leveza da luz da lua
Que ela nunca experimentara
Conheceu-a em toda sua inteireza
E a presenteou com significados que a vida sempre lhe ocultara
Partiu num dia de vento forte  com a dureza crua de uma pedra bruta.



P.S.: E não tem mais nada negro amor! (Caetano & Péricles Cavalcanti)


domingo, 6 de novembro de 2011

Sad Spring (Andreia)

A camponesa olhava o horizonte sem nenhuma expectativa. Os campos de girassóis foram arrancados sem que ao menos ela pudesse observar pela última vez e guardar em sua memória toda aquela beleza rara.
Pensava inutilmente o que faria para preservar o que lhe fora roubado pela tempestade devastadora. Guardaria dentro de si as palavras ditas e as não-ditas e seguiria adiante com aquela presença abstrata de seu campo de girassóis lindo e vivo dentro dela.
Alimentaria os seus dias com a lembrança tendo a certeza de que nunca mais se depararia com algo que a tocasse tão profundamente a alma.
A vida seguiria seu curso naquela primavera triste embora ela não percebesse.