sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O eterno latin lover!!! (Andréia)



"É verdade, em determinado momento é preciso ir embora e todo mundo sabe disso. Mas para que servem as verdades inúteis? Acho que todos somos como Dom Quixote: certas ilusões são mais fortes que a realidade." (Mastroianni)

Estou parada diante da tv olhando atentamente a imagem de Marcello. Ele não era apenas um homem belo, era muito mais que isso. Ele é uma das lembranças mais ternas que vez por outra invade meu pensamento, talvez pela quantidade de filmes que eu tenha visto em que ele atuava.
Marcello interpretou no cinema e no teatro personagens muito diferentes dele, que era na intimidade um homem extremamente simples. Amava a vida e a preenchia com seu trabalho. O primeiro filme em que vi Marcello foi em "A doce vida" de Fellini e depois em "Os girassóis da Rússia" de Vittorio de Sica. Pude observar realmente o grande ator que ele era quando vi "Um dia muito especial" de Ettore Scola, Marcello interpretava Gabriele, um homossexual nada alienado que rejeitara seguir Mussolini e o facismo e por isso teve um final triste.
Mastroianni foi o grande responsável por meu interesse em assistir filmes com temática relevante, me lançou nesse gosto que perdura até hoje. Esse doce italiano está em minha memória afetiva eternamente vivo, e presto aqui uma homenagem a ele com o final de sua biografia "Eu me lembro, sim eu me lembro", realizada pouco antes de sua morte.

"Porque a memória é uma coisa esquisita, não? Esquisita como o amor." (Marcello)

O grito de Edvard Munch, a lucidez de mestre Saramago & a minha insensatez (Andreia)

" O que ele sente, e talvez, entre todas estas pessoas que passam, seja o único a sentí-lo, é uma espécie de ameaça flutuando no ar, aquela que os temperamentos sensíveis percebem quando a massa de nuvens que tapa o céu se crispa à espera de que o trovão deflagre, quando uma porta rangeu no escuro e uma corrente de ar gelado nos veio tocar o rosto, quando o presságio malígno nos abriu a porta do desespero, quando uma risada diabólica nos dilacerou o véu da alma." (Saramago)


A mente não dá trégua nesse kaos que é o pensamento
E basta um segundo para que se crie castelos de areia para a eternidade do tormento. (Andreia)